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Música Tradicional

Aqui documentamos a música tradicional bem como canções relacionadas com a região

Letras
Os Índios Da Meia-praia, por José Afonso

Aldeia da Meia Praia, Ali mesmo ao pé de Lagos
Vou fazer-te uma cantiga, Da melhor que sei e faço
De Montegordo vieram Alguns por seu próprio pé
Um chegou de bicicleta, Outro foi de marcha à ré
Quando os teus olhos tropeçam No voo de uma gaivota
Em vez de peixe vê peças de oiro Caindo na lota
Quem aqui vier morar Não traga mesa nem cama
Com sete palmos de terra Se constrói uma cabana
Tu trabalhas todo o ano Na lota deixam-te nudo
Chupam-te até ao tutano, Levam-te o couro cabeludo
Quem dera que a gente tenha De Agostinho a valentia
Para alimentar a sanha De esganar a burguesia
Adeus disse a Montegordo, Nada o prende ao mal passado
Mas nada o prende ao presente Se só ele é o enganado
Oito mil horas contadas Laboraram a preceito
Até que veio o primeiro Documento autenticado
Eram mulheres e crianças Cada um com o seu tijolo
Isto aqui era uma orquestra quem diz o contrário é tolo
E se a má língua não cessa Eu daqui vivo não saia
Pois nada apaga a nobreza Dos índios da Meia-Praia
Foi sempre tua figura, Tubarão de mil aparas
Deixas tudo à dependura Quando na presa reparas
Das eleições acabadas, Do resultado previsto
Saiu o que tendes visto, Muitas obras embargadas
Mas não por vontade própria Porque a luta continua
Pois é dele a sua história E o povo saiu à rua
Mandadores de alta finança Fazem tudo andar para trás
Dizem que o mundo só anda Tendo à frente um capataz
Eram mulheres e crianças Cada um com o seu tijolo
Isto aqui era uma orquestra Que diz o contrário é tolo
E toca de papelada No vaivém dos ministérios
Mas hão-de fugir aos berros Inda a banda vai na estrada

Danças tradicionais

Baile Mandado

Esta dança apareceu por influência dos franceses. Os pares fazem uma roda executando movimentos seguindo quem comanda que vai contando uma história que rima ou uma quadra satírica mas sem malícia. A dança pode prelongar-se por tempos indeterminados visto tudo depender da resistência da pessoa que dança e da inspiração de quem é “manda”. Quando a pessoa que canta a histórica fica cansada ou sem imaginação chama-se outro comandante, que é quase sempre do sexo oposto.

Corridinho

Nos primeiros anos do século XX nasce o célebre corridinho. Facto curioso e que muitos desconhecem é que este tipo de música teve origem numa dança de salão nascida nos meados do século passado, algures na Europa oriental, e trazida para o Algarve por um espanhol chamado Lorenzo Alvarez Garcia, que decidiu cortejar a jovem louletana Maria da Conceição, dedicando-lhe La Azucena - uma polca. O corridinho nasce então como dança de cortejo.

Instrumento fundamental do corridinho é o acordeão, que chegou à região algarvia nos finais do século XIX. O novo instrumento popularizou-se rapidamente, enriquecendo os repertórios locais. As danças de salão então em voga - as polcas e as mazurcas - passam a entrar, interpretadas em acordeão, nos bailaricos do campo ao lados dos velhos sarilhos e bailes de roda. Os tocadores inventam-nas e reinventam-nas, acabando por nascer o corridinho.

O corridinho era bailado com os pares sempre agarrados, formando uma roda, as raparigas por dentro e os rapazes por fora. Ao girar da roda, os pares evoluem, portanto, de lado. A certa altura, «quando a música repica», «o bailho é rebatido», isto é, os pés batem no chão com mais vigor, parando a roda, para prosseguir logo de seguida. Mais adiante, os pares «valseiam», entenda-se bailam agarrados girando no mesmo lugar, após o que a roda de novo retoma a sua evolução, sempre para o lado direito. Com algumas variantes de pormenor, foi assim que captámos a coreografia do corridinho estremenho.


CDs
FOLCLORE PORTUGUÊS - ALGARVE
1. Ó Moças Façam Arquinho
2. Ó Ana, Ó Ana Dá um Jeitinho à Cintura
3. Corridinho da Fonte Grande
4. Ao Passar no Ribeirinho
5. Minha Mãe, Não Me Leve
6. Corridinho de Alte
7. Baile Mandado
8. Tia Anica da Fuseta
9. Corridinho da Anica
10. Quatro Cantinhos
11. Cabo de S. Vicente
12. Minhas Amendoeiras
13. Corridinho Mariola
14. Ó Amendoeira
15. Espírito Algarvio
16. Corridinho do Orlando
17. Alma Algarvia
18. Marcha da Fuseta

Estilos: COMPILAÇÕES, TRADICIONAL / FOLCLORE
Preço: 10.63€


Bandas

Nome: MOÇOILAS - Cantigas da Serra do Caldeirão
Estilo Musical: Tradicional Portuguesa
Elementos: Teresa Muge, Margarida Guerreiro, Ana Maria Guerreiro e Teresa Colaço
Biografia: Partindo da recuperação de músicas tradicionais do Algarve, este grupo vocal de Faro interpreta velhas e novas canções da Serra do Caldeirão, com algumas incursões ao Alentejo e à raia de Espanha, sempre de modo original. O seu repertório integra, na maior parte, cantigas populares tradicionais da região, férteis no praguejar algarvio e nas saudáveis malandrices que dão o picante às histórias simples dos amores e às criticas sociais. As Moçoilas actuaram pela primeira vez, em 1994, na 1ª Manifesta (Santarém) para uma audiência com gente de todo o país. Ouvia dizer-se: “ finalmente estamos a ouvir cantar o Algarve”.
CONCERTOS:
Manifesta (Santarém 1994, Tondela 1996, Amarante 1998), espectáculos por todo o Algarve, Alentejo, Lisboa, Programa Viva a Rua (Évora) 98, Festas da Cidade de Loures e Festa das Vindímas (Loures)98. A nível internacional: Canadá, Nitéroi (Brasil), Tanz & FolkFest Rudolstadt 98(Alemanha), Expo 98.Festival Cantos del Sur- Huelva (Espanha)1999, Festas de Porto Santo - Madeira 2000, Manifesta 2001 Tavira, Manifesta 2003 Serpa...

Discografia: Já cá vai roubado (2001)
Influencias: Reportório assente e inspirado na musica tradicional algarvia

Contacto:
Morada: Algarpalcos
Rua Martim Moniz, 73 8100 Loúlé
Cidade: Loulé
País: Portugal
Telefone: +351289415875
Email: algarpalcos@algarpalcos.com
Homepage: http://www.algarpalcos.com/tradicional_n.htm

Outros:

Recordar os sons tradicionais - Museu Etnográfico de São Brás de Alportel mostra as raízes musicais da região, desde os pregões às histórias do corridinho.

Instrumentos antigos, livros, grafonolas, discos... Sons de outros tempos em revisão nesta exposição.
Quem se recorda ainda do pregoeiro espalhando notícias à porta da igreja? E o aguadeiro anunciando a água fresca? E o som mortiço do búzio tocado pelo peixeiro nas terras do litoral algarvio ou os cloques das mulheres embiocadas anunciando-se pelas ruelas de Olhão? Só os mais velhos, certamente.



Os amola-tesouras, esses, ainda os vemos, embora raramente, tocando a característica "gaita", enquanto palmilham ruas e veredas. Na Sexta-Feira Santa, abrindo o fúnebre cortejo da procissão, vem o homem das matracas com o seu som lúgubre que transmite respeito e uma estranha solenidade. Os adultos recordam os seus tempos de infância e os mais pequenos ficam extasiados com um ritual que lhes é completamente desconhecido.


São os sons da rua que povoaram a realidade de tempos e lugares passados e que constituem um património de difícil conservação. Mas para o Museu Etnográfico do Trajo Algarvio, situado no concelho serrano algarvio de São Brás de Alportel, um dos mais representativos da região, os obstáculos maiores são os mais motivadores. Não admira, por isso, que os seus responsáveis tenham tido a coragem de montar uma exposição resultante de um trabalho de pesquisa e recolha que remonta há quase duas décadas.


"Rumores" foi o título dado à mostra. Podia ter sido "Sons" se esse meio de expressão popular, que é a música, não estivesse em morte lenta. É como diz Emanuel Sancho, o director do museu: "Resta-nos agarrar os rumores, enquanto é tempo, porque a música, modelada pela intimidade do homem com o seu meio, companheira de todos os momentos, sucessivamente reinventada e transmitida de pais a filhos ao longo dos séculos, parece ter esgotado entre nós a sua função, cujo lugar foi tomado, quase por completo, por sons estranhos." Os ruídos, as sonoridades e melodias desse Algarve cada vez mais longe foram, assim, eleitos para esta exposição, que pretende conduzir o visitante à descoberta da música tradicional algarvia e das suas raízes, terminando com o aparecimento das máquinas de reprodução de sons - fonógrafos e rádio -, que, na região, inauguraram a era da globalização.


A mostra está dividida em seis sectores. Para além dos "sons da rua", já referidos, são dadas também a conhecer outras vertentes musicais. Na chamada "Sala Bucólica", estão patentes as músicas e danças do homem serrano, que conservaram até hoje características arcaicas ainda pouco estudadas. A música e os instrumentos até finais do século XIX reflectiam a íntima relação entre o homem e a terra, sendo a flauta de cana o instrumento mais popular e os guizos e chocalhos o acompanhamento por excelência.


A "Sala 3-Raízes" surpreende pela diversidade de melodias e de instrumentos existentes ao longo do século XIX que apresenta, desde as violas e guitarras às flautas, guizos e chocalhos. Já nos primeiros anos do século XX, apareceu o célebre corridinho. Talvez poucos saibam que este tipo de música tem origem numa dança de salão nascida nos meados do século passado, algures na Europa oriental, e trazida para o Algarve por um espanhol chamado Lorenzo Alvarez Garcia, que decidiu cortejar a jovem louletana Maria da Conceição, dedicando-lhe La Azucena - uma polca.


Instrumento fundamental do corridinho é o acordeão, que chegou à região nos finais do século XIX. O novo instrumento popularizou-se rapidamente, enriquecendo os repertórios locais. As danças de salão então em voga - as polcas e as mazurcas - passam a entrar, interpretadas em acordeão, nos bailaricos do campo ao lados dos velhos sarilhos e bailes de roda. Os tocadores inventam-nas e reinventam-nas, acabando por nascer o corridinho.


As "Cordas" são o tema da Sala 5. Estes instrumentos tiveram comprovadamente grande popularidade nas camadas populares, pelo menos até ao aparecimento do acordeão. Tipicamente alentejana, a viola campaniça deverá ter penetrado nas franjas da serra algarvia, a norte, por via do íntimo contacto das populações das zonas limítrofes. A denominada guitarra portuguesa, apesar de hoje estar associada ao fado, parece ter tido grande difusão popular a partir de inícios do século passado. O bandolim e o banjolim não possuem uma tradição popular, mas, integrados nas tunas, marcaram uma época com contornos comuns em todo o País e que conheceu o seu apogeu nas primeiras décadas deste século.


A "Sala 6" é, como não podia deixar de ser, dedicada aos "Novos tempos". Os fonógrafos, gramofones, grafonolas e vitrolas surgiram na região nos finais do século XIX. Pouco tempo depois chegou a rádio e com ela um nunca acabar, até aos nosso dias, de sons e ritmos estranhos que, conforme frisa Emanuel Sancho, "imperceptivelmente nos vão moldando o gosto e a alma". Os "Rumores" algarvios podem ser ouvidos e sentidos até Maio do próximo ano.

O "bate à porta" do padre Cunha

O Museu de São Brás de Alportel chama-se "do Trajo Algarvio", mas acaba por representar toda a etnografia regional. E a este espaço cultural está inapelavelmente associado o nome do padre José da Cunha Duarte. Foi devido ao seu interesse, empenho e grande persistência que surgiu todo o imenso espólio que integra o museu. Muitos dias perdidos pelo seu fundador a calcorrear montes e cerros e a bater à porta das pessoas, recolhendo "cacos" e "velharias", hoje verdadeiras preciosidades. Às roupas, sapatos e milhares de acessórios, a que se juntaram, mais tarde, casas agrícolas e veículos tradicionais - que compõem as exposições permanentes - juntam-se agora os objectos musicais recolhidos igualmente por José Duarte. A sua paixão pelo estudo da etnomusicologia do Algarve fez nascer também, no concelho, o Grupo Juvenil de Acordeonistas.

© 1998 Diário de Notícias Lisboa · 26 de Julho de 1998


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